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O Uso da Crase
Para saber se o acento grave deve ser utilizado, devemos seguir três passos básicos:
- O primeiro é observar a palavra posterior ao "a": ela tem de ser feminina, pois somente diante de palavras femininas ocorre a crase, com exceção de frases que tenham as expressões "maneira de" ou "moda de" subentendidas.
- O segundo passo é observar se há verbo indicador de destino (ir, vir, voltar, chegar, cair, comparecer, dirigir-se). Caso haja, substitua-o por outro verbo, agora indicador de procedência (voltar, por exemplo); se, na indicação de procedência, surgir "da", na indicação de destino, ocorrerá crase.
- O terceiro passo, se não houver verbo indicando destino, é trocar a palavra feminina por outra qualquer masculina. Se, diante da masculina, surgir "ao", diante da feminina, ocorrerá crase.
Casos especiais:
01) Quando houver a preposição
a antes dos pronomes demonstrativos
aquele(s), aquela(s), aquilo, há que se colocar o acento grave indicativo da crase sobre o
a dos pronomes demonstrativos. Por exemplo:
"Não mais obedecerei àquele sujeito";
"Assisti àquela peça teatral";
"Não me referi àquilo que você disse".
02) Diante da palavra
DISTÂNCIA, só ocorrerá crase se houver a formação de locução prepositiva, ou seja, se não houver a preposição
de, não ocorrerá crase. Por exemplo:
"Reconheci-o a distância" (sem crase, pois não há a preposição de);
"Reconheci-o à distância de duzentos metros".
03) Diante do pronome relativo
que ou da preposição
de, quando for fusão da preposição
a com o pronome demonstrativo
a/
as, ocorre crase. Estes pronomes são sinônimos de
aquela/
aquelas. Por exemplo:
"Essa roupa é igual à que comprei ontem" (é igual àquela que comprei);
"Sua voz é idêntica à de um primo meu" (é idêntica àquela de meu primo).
04) Diante dos pronomes relativos
a qual/
as quais, quando o verbo da oração subordinada adjetiva exigir a preposição
a, ocorre crase. Por exemplo:
"A cena à qual assisti foi chocante" (quem assiste, assiste a algo).
05) Quando o
a estiver no singular, diante de uma palavra no plural, não ocorre crase. Por exemplo:
"Referi-me a todas as alunas, sem exceção";
"Não gosto de ir a festas desacompanhado".
06) Diante de pronomes possessivos femininos [minha(s), tua(s), sua(s), nossa(s), vossa(s)], é facultativo o uso do artigo, então, quando houver a preposição
a, será facultativa a ocorrência de crase. Por exemplo:
"Referi-me a sua professora" ou "Referi-me à sua professora";
"Referi-me a suas professoras" ou "Referi-me às suas professoras".
07) Após a preposição
até, é facultativo o uso da preposição
a, portanto, caso haja substantivo feminino à frente, a ocorrência de crase também será facultativa. Por exemplo:
"Fui até a secretaria" ou "Fui até à secretaria".
08) A palavra
casa só terá artigo, se estiver especificada, portanto só ocorrerá crase diante da palavra
casa se ela estiver especificada. Por exemplo:
"Voltarei a casa antes de todos" (sem crase, pois a palavra casa não está especificada);
"Voltarei à casa de Ronaldo antes de todos" (com crase, pois a palavra casa está especificada).
09) A palavra
terra significando
planeta é substantivo próprio e tem artigo, consequentemente, quando houver a preposição
a, ocorrerá a crase. Significando
chão firme, solo, só terá artigo quando estiver especificada, portanto, só poderá ocorrer a crase se vier especificada. Por exemplo:
"Os astronautas voltaram à Terra" (com crase, pois "terra" está caracterizando o planeta);
"Os marinheiros voltaram a terra" (sem crase, pois significa chão firme, solo e não está especificada);
"Irei à terra de meus avós" (com crase, pois significa chão firme, solo e está especificada).
10) Nos adjuntos adverbiais de meio ou instrumento, até há bem pouco tempo só se admitia o acento indicativo de crase se houvesse ambigüidade na frase. Modernamente, porém, os gramáticos estão admitindo tal acento em qualquer circunstância. Por exemplo:
"Preencheu o formulário à caneta";
"Paguei à vista minhas compras" (A gramática normativa padrão condenava esse acento há pouquíssimo tempo).
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Os Dez Mandamentos
É importante atentar para alguns procedimentos recomendados na realização de um
bom texto dissertativo.
Os conselhos são sobre o que NÃO se deve fazer ou o que se deve EVITAR no texto.
Clique em cada "mandamento", para ver exemplos do que NÃO se deve fazer em um texto dissertativo.
Os dez mandamentos são baseados no livro Técnicas básicas de redação,
de Branca Granatic, publicado pela Editora Scipione, em 1995.
1- Jamais use gírias em sua dissertação
2- Não utilize provérbios ou ditos populares
3- Evite incluir-se em sua dissertação (especialmente para contar
fatos de sua vida particular)
4- Não utilize sua dissertação para propagar doutrinas religiosas
5- Jamais analise os temas propostos movido por emoções exageradas
6- Não utilize exemplos contando fatos ocorridos com terceiros, que não sejam de domínio público
7- Evite as abreviações
8- Nunca repita várias vezes a mesma palavra
9- Tente não analisar os assuntos propostos sob apenas um dos ângulos da questão
10- Não fuja ao tema proposto
Dicas importantes:
a- Utilize a primeira pessoa do plural em lugar da primeira pessoa do singular,
ou então use o verbo na terceira pessoa acompanhado do pronome SE, dando
ao texto o tom de imparcialidade desejado.
Ex: Em lugar de "Eu sei", use "Sabemos" ou "Sabe-se".
b- Procure manter-se informado sobre os mais diversos assuntos, lendo jornais
e revistas.
Desse modo, maiores condições terá de redigir um texto sobre
qualquer tema, seja econômico, político, social, ...
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Escrever: por onde começar?
(por Leonor Werneck dos Santos)
Quantas vezes estamos diante de um tema, precisando escrever, e não sabemos qual
caminho escolher? Aqui vão algumas sugestões, propostas por
vários professores e pesquisadores de língua portuguesa:
- procure, ao ler um tema, interpretá-lo, perceber o que se pode falar sobre o
assunto, quais as abordagens possíveis;
- tente listar o máximo possível de "idéias" que você teve
a respeito. Essa listagem, também chamada "tempestade de idéias"
- ou "toró de palpites", como disse um ex-aluno meu -, pode ser feita
com palavras, expressões, frases curtas ou mesmo pequenos parágrafos
(isso depende de você);
- selecione, dentre as idéias listadas, aquelas que mais se encaixam na abordagem
que você deseja dar ao tema e elimine as demais. Com as selecionadas,
organize um roteiro, estabelecendo a possível seqüência
que você pretende desenvolver;
- faça um esboço do seu texto, um rascunho, e releia-o diversas vezes,
até ficar satisfeito com o resultado.
Parece que isso tudo toma muito tempo? Mesmo quem tem prática, como famosos escritores,
costuma escrever e reescrever seus textos. Procure fazer desse tempo um
investimento! Lembre-se, principalmente, de que todo texto existe para
ser lido, e o que você produziu deve ser agradável, gostoso
de ler.
Por isso, ao reler seu texto, procure ser crítico, mas não exagere: confie
mais na sua capacidade de escrever!
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O porquê dos porquês
(por Leonor Werneck dos Santos)
"Parou por quê?
Por que parou?
Parei porque vi violência
Parei porque vi confusão"
Quem ainda não ouviu essa música de Moraes Moreira, muito cantada em final de shows pelo
Brasil? Todos cantam, mas na hora de escrever aparece aquela dúvida: o porquê é separado ou junto, com ou sem acento? Vamos tentar
entender.
POR QUÊ
Pronome interrogativo usado
no final de frases interrogativas diretas ou indiretas. É só reler o trecho da música "Parou por quê?"
Outro exemplo: Gritaram "Vasco!", mas não entendi por quê.
POR QUE
1) Pronome interrogativo usado no início de frases interrogativas diretas. Mais uma vez, encontramos
um exemplo no texto acima
"Por que parou?"
Observe que, nas interrogativas indiretas, esse pronome também aparece:
"Não sei por que tanta gente gosta dessa música".
2) Pronome relativo, em casos nos quais podemos, por exemplo, modificá-lo por "pelo(a,s) qual(is)": "Física é um assunto por que não
me interesso".
PORQUE
Usado para introduzir uma oração cujo significado seja causa, explicação, uma justificativa,
enfim. Moraes Moreira nos deu dois exemplos: "Parei porque vi violência /Parei porque vi confusão".
PORQUÊ
Esse é fácil e já foi usado três vezes neste artigo, inclusive no título,
é o porquê (olha ele aí de novo!) com função de substantivo. Costuma aparecer junto a um artigo ou um pronome.
Agora você entendeu todos os porquês. Não? Por quê?
Após ler este artigo, já é possível entender
por que usamos cada um deles, porque, afinal, nem é tão difícil assim....